A tal fase oral e o prazer pela boca

Hoje vou dar uma de Bela Gil aqui pra vocês haha

 

Nos últimos 5 meses eu tenho buscado um estilo de vida mais saudável, porque sei que isso afeta demais o estado emocional.

 

Diminuí a ingestão de álcool – que tava bem descontrolado – e tô lutando contra o cigarro (a coisa mais difícil de todas).

 

E tem a alimentação.

Venho de uma família com a genética carregada de obesos, problemas no coração e diabete. Também soube de um avô alcoólatra (que não conheci). Cresci com minha mãe cuidando da alimentação e carrego isso comigo.

 

Mas os transtornos afetam diretamente a vontade de comer e beber. Ansiedade, tristeza, estresse etc.

 

É um ciclo vicioso:

Bebo pra não comer -> Faz mal. Como pra não beber -> Engordo. Fumo pra não comer -> fico doente.

[Claramente um problema oral, que vem sido trabalho incessantemente na análise].

Circulo Vicioso2

Voltando aos últimos 5 meses, preciso lembrar que estou com 36 anos, e o organismo não funciona mais como na juventude! 5 meses me alimentando direitinho, e uma dificuldade em me acostumar e ter disposição. Ainda não me acostumei a me exercitar – coisa que está no topo da lista de prioridades do ano.

Nosso corpo é muito doido, e sente algumas necessidades – físicas e emocionais. Sabe aquelas vontades absurdas de comer alguma coisa? Então! Vou passar uma listinha de alimentos que você pode substituir quando vem aquela vontade louca de comer algo que não vai te fazer tão bem – você pode não gostar ou não estar acostumade a comer algumas coisas, mas te garanto que são deliciosas:

Desejo por chocolate: Aparece quando o organismo sente falta de magnésio. Para as mulheres, pela falta desse mineral, essa vontade aumenta durante o período menstrual.

Pra saciar a vontade de chocolate: substituir por chocolates com 70% de cacau, alfarrobas, nozes, verduras verdes escuras, arroz, pães integrais e semente de abóbora.

Desejo por açúcar (doces, sobremesas, sorvetes, etc): Quando a serotonina – hormônio que atua no humor e na sensação de bem-estar – tá em falta, o controle do apetite é afetado e desencadeia a vontade por doces.

Pra saciar a vontade de açúcar – deixando claro aqui que doce é doce, e nada vai ser igual, só vai ajudar com essa vontade descontrolada: gelatina, bananada sem açúcar, frutas secas sem açúcar, tâmara e mel (uva passa é uma delícia, e bem docinha).

Desejo por frituras: Não existem nutrientes nesse tipo de alimentação. O que acontece é o sabor que a gordura gera ao alimento (delícia!!!). Isso age como um sinal que vai para o cérebro e estimula a produção de substâncias no intestino que levam ao desejo de ingerir mais gordura.

Pra saciar a vontade de frituras: A “falsa milanesa”, no qual o filé é passado na maionese light, depois na farinha de mandioca (ou no floco de aveia) e depois assado no forno é uma boa opção. Sério, é uma delícia!

Desejo por pães, bolos, biscoitos e massas: Acontece pelo o efeito de bem-estar da farinha branca, dado pela gliadina (proteína encontrada no glúten do trigo) no nosso cérebro.

Pra saciar a vontade de massas: Produtos em versões integrais (farinha em si, pães, bolos, biscoitos, etc). Eu sou LOKA por pão francês, mas aprendi a AMAR pão integral (o de chia com macadâmia é um sonho!).

Desejo por leite e derivados: É pela falta de cálcio. Por causa disso, o organismo pede alimentos ricos no mineral e os laticínios são sempre os mais lembrados.

Pra saciar a vontade de  leite: Ingira alimentos desnatados ou com baixo teor de gorduras. Pode estranhar no começo, mas depois vai estranhar os integrais.

Desejo por alimentos salgados e embutidos: Por ser um tempero extramente saboroso à comida, o sal é um ingridente que muitas pessoas perdem a mão na hora de utiliza-lo no dia a dia. Em outras situações, algumas pessoas acabam procurando os alimentos mais salgados ou o próprio sal em casos de pressão baixa.

>> MEU PONTO FRACO! Como sal puro! Socorro!!!

Pra saciar a vontade de coisas salgadas: Use temperos naturais frescos ou desidratados, o limão espremido sobre a comida pronta ou o gersal. Nozes levemente salgadas, amêndoas ou castanhas de caju também podem saciar essa vontade. Pipoca é um lanche de baixa caloria, feita com pouca gordura, além de ajudar a limpar o intestino. (Adoro!).

Bom, quis compartilhar isso, porque corpo e mente, está tudo ligado, e numa sociedade doente como a nossa, a indústria das comidas rápidas e gordurosas – além do cigarro e álcool – lucram muito com nossos transtornos.

Espero ter ajudado.

Pra saber mais: Atlas da saúde

Anúncios

Esse alucinógeno chamado “Mania”

Às vezes eu sinto tanta falta dela.

Mesmo agora, quando tá tudo bem – eu tô feliz, vendo cores novamente – eu sinto sua ausência.

Com ela, as cores são fortes, reluzentes; os sabores são mais encorpados; os cheiros mais perceptíveis. Com ela, eu consigo tocar com os olhos, sentir com a alma, ir além.

Quando ela está comigo, é tudo muito rápido e intenso. Às vezes nem consigo respirar ou dormir direito, tamanha agitação em que ela me deixa. E é por isso que acho melhor ela não estar por perto.

Por outro lado, sem ela, é tudo muito normal, calmo, estável. O que é bom, exceto quando parece meio apático.

A normalidade parece morna. Depois que me relacionei com ela, nada foi igual. Não existe a mesma intensidade, o mesmo tesão, a mesma sensação de descobrir cada segundo da vida.

Hoje está tudo bem. Muito bem, aliás. Mas senti a ausência dela. Um buraquinho que insiste em manter seu lugar aqui dentro, só esperando o seu retorno.

A MANIA* me ajudou a descobrir partes de mim que eu nem sabia que existiam. Mas também destruiu alguns pedaços meus.

Eu quis que ela fosse embora. Eu não quero que ela volte.

Mas essa relação ambígua de descobertas e autodestruição me marcou, e como uma adicção, eu vou sentir o gostinho da abstinência todos os dias da minha vida.

 

*Mania é uma fase do transtorno bipolar, em que tudo fica muito acelerado, bonito, colorido, vivo, apressado. Parece maravilhoso, e dá essa sensação mesmo, mas te destrói aos poucos.

Para entender melhor: Explicando direitinho o Transtorno Bipolar

 

tumblr_lum0b0mrlT1r69m0xo1_400

Solidão Amiga

Eu não suporto essa sensação de solidão.

Acho que é um dos sentimentos que mais me desafiam, desde minha infância.

216165_323613241068852_1494902745_n

Tenho consciência do quão sortuda eu sou por ter um companheiro que é parceiro, família e amigos presentes. Mas essa sensação não passa.

Por um tempo essa solidão simbolizava fases pontuais na minha vida; separação, transtornos, mudanças ou simplesmente a sensação do não pertencimento. Algumas lembranças ainda machucam.

Faz anos que tento lidar com ela, que busco tratá-la como uma aliada. Guardo essa citação que encontrei numa das fases mais complicadas da minha vida, há dez anos:

“Ó solidão! Solidão! Meu lar!…

Tua voz, ela me fala com ternura e felicidade!

Não discutimos, não queixamos, e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas.

Pois onde quer que estejas, ali as coisas são abertas e luminosas, e até mesmo as horas caminham com pés saltitantes…

Ali as palavras e os tempos/poemas de todo ser se abrem diante de mim: aqui todo o ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.”

Nietzsche

406946_228971890566719_743092216_n

Em momentos em que ela toma mais espaço, lido com impulsos, saudades, decisões duvidosas e a insônia constante. A solidão é perigosa.

Ainda acredito que seremos mais parceiras. Que vou curtir mais não apenas os momentos sozinha, mas o calor da presença dela comigo, mesmo que cercada de pessoas amadas. Ainda seremos amigas e nos entenderemos bem.

Ela, a solidão amiga, e eu.

Cuidado com ela

“Cuidado com ela”.

Era o que meus colegas de banda diziam pro nosso novo guitarrista, meu atual companheiro, há oito anos atrás.

Eu era uma mulher de 27 anos, livre, independente, sexualmente ativa, recém descobrindo a vida, depois de anos castrada pela religião e um casamento que me anulava.

Parece que ser “esse tipo” de mulher era perigoso.

Se não bastasse isso tudo, claro e exposto pra quem quisesse ver, ainda tinha o meu transtorno. Vivia uma fase maníaca, intensa e sem muitas travas. Pra algumas pessoas, uma curiosidade; pra outras, algo admirável e desejável; mas para a maioria, algo que merecia reprovação.

Hoje reencontrei um amigo que me conheceu logo após essa fase. Já me conheceu numa relação estável com meu companheiro. Num momento em que tinha escolhido abrir mão do meu estilo de vida de solteira pra viver essa relação. E por conta da banda e outras questões, também vivia uma vida mais sossegada, sem “rolês”, álcool, e baseada em princípios religiosos. Já se passaram seis anos desde que nossa banda acabou. Nossos objetivos mudaram, assim como nosso estilo de vida. Meu relacionamento se mantém firme, mas nosso estilo de vida já não é mais tão quadradinho como se espera de pessoas casadas com mais de trinta anos.

São 06:29 da manhã, e refletindo sobre nossas conversas, risadas e lembranças dessa noite, essa frase “cuidado com ela”, está me martelando.

Como se já não bastasse a cobrança social para caber na “caixinha”, no trabalho, na família, na vida, o modo de se vestir, se portar e falar, ainda precisamos ser aprovados pelos próprios amigos. Ser honesta, dedicada e amorosa não é suficiente. É preciso ter cuidado com quem sai das normas.

Quem precisamos ser pra estar tudo bem? Qual é quantidade de alegria ou tristeza que podemos manifestar pra sermos aceitos? Quanto podemos expressar do que se passa em nossa mente? Que nível de normalidade precisamos manter pra que as pessoas não precisem “tomar cuidado” com a gente?

Se eu tentar pontuar quais eram as questões que esses amigos queriam dizer quando avisaram pra tomar cuidado comigo, muita coisa vem à minha mente. Coisas inclusive que batem de frente com o caráter duvidoso deles. Mas isso não vem ao caso.

A reflexão que faço agora é de tudo o que vivi e sobrevivi nos últimos oito anos. Tudo o que fiz e aprendi, todas as besteiras e erros que cometi, os acertos que consegui, os fracassos e as vitórias, os altos e baixos extremos, o amadurecimento e quem me tornei. Sei que ainda tem muito chão pela frente – e o fato de dizer isso já é um sinal de que quero continuar esse processo, que é a vida. Ainda tenho questionamentos a fazer, desconstruções pra viver e desconfianças a gerar. Pretendo levantar suspeitas e ainda ser motivo que digam “cuidado com ela”.

Cuidado comigo, mundo. Ainda vou fazer muito barulho, quebrar muitos paradigmas e viver muitos paradoxos.

 

10472_344772985618007_926848941_n

Altos e baixos (muitas baixas) e catarses

Não escrevo por aqui a um tempo.

Também não tenho postado nas redes sociais.

Uma das fases reflexivas, mas também me poupando de exposição. O que é confuso, pois vivo entre altos e baixos – superexposição e defesa de causas e ideias, seguido de períodos de reclusão e silêncio. Faz parte, né?

Troquei a terapia pela análise há 8 meses, e tô gostando muito. Acho mais pesado, mais interessante e acredito que todas as linhas terapêuticas que passei me prepararam pra essa.

Nesse último ano passei por grandes mudanças, inclusive na percepção do mundo e, principalmente, de mim mesma.

Alguns trechos do que escrevi no último ano:

Jpeg

(28/08/16)

Passei 2016 à base de cigarro e álcool. Ao mesmo tempo que era uma forma de sobreviver, também servia como uma forma de me destruir lentamente.

Jpeg

Jpeg

(08/11/16)

Crise depressiva, apatia, busca religiosa, decepções, traições, busca para entender a razão em continuar viva. Porquê e pra quê. Por quem.

Jpeg

(11/11/16)

Momentos constantes de sensação de estar perdendo a sanidade. Confusões mentais e dissociações. Foi bem assustador.

A insônia continua. Constante. Algumas com muita ansiedade, outras mais amenas.

Jpeg

(07/02/17)

A preocupação de quem me ama é ao mesmo tempo um conforto e uma cobrança. O amor e compreensão às vezes trocam de lugar com cobrança e o uso do transtorno contra mim.

A sensação de não pertencimento é constante. E aos poucos tento entender como lidar com isso, sabendo que não é algo que vai passar.

Tive muitos insights e algumas catarses. Coisas poderosas!

Freud - Catarse - 02-02-2011

– Bem… Parece que você acabou de passar por um processo de catarse.

– É praticamente a remoção de um complexo mediante a sua transferência para o consciente!

– …

– Eu entendo… É como vomitar durante uma ressaca.

Em meio a tudo isso, vivo crises intensas de endometriose, que me causa uma dor muito forte e afeta o meu emocional. As dores física e emocional me confundem, a ponto de não conseguir distinguir em alguns momentos.

Jpeg

Mas enfim, parece que algumas coisas estão mudando, de forma lenta e com qualidade. Pra quem vive de intensidades e impulsos, não é fácil lidar com as coisas mais profundas e num ritmo menor. Mas sinto que está diferente.

Cuidando da minha saúde. POR MIM.

Pra viver, e viver bem.

Isso é novo, é assustador, e é bom.

Fico mais ansiosa e afeta mente e corpo, atingindo meu sono diretamente. Mas é diferente de tudo o que já passei.

Jpeg

Vou seguindo.

Às vezes querendo desistir desse blog, da page. Mas aí entendo que eu queria ler essas coisas, sem mensagens “animadinhas” de auto-ajuda (que eu não suporto), com essa pitada de existencialismo/pessimismo/sarcasmo, coisas que não encontro em blogs ou pages sobre transtornos mentais. Então, continuo, ainda tentando manter o equilíbrio entre o que pode ser compartilhado e o que é só meu.

Jpeg

Identificação

“Quando são duas da manhã e se está maníaco, mesmo o centro médico da UCLA tem um certo atrativo. O hospital – geralmente um aglomerado frio de prédios desinteressantes – tornou-se para mim, naquela madrugada de outono há quase vinte anos, um foco do meu sistema nervoso perfeitamente sintonizado, em intenso estado de alerta. Com as vibrissas ardendo, as antenas empinadas, os olhos se adiantando velozes, facetados como os de uma mosca, eu absorvia tudo ao meu redor. Eu estava correndo. Não simplesmente correndo, mas correndo com velocidade e fúria, como um relâmpago a atravessar, de um lado para o outro, o estacionamento do hospital, procurando gastar uma energia ilimitada, irrequieta, maníaca. Eu corria rápido, mas lentamente enlouquecia.”
Kay Redfield Jamison, em “Mente Inquieta”

mente-inquieta

“Era pouco mais de dez horas da noite. Tinha trabalhado o dia todo, entregando panfletos no Carrefour da Anchieta. Deveria estar cansada. Mas tinha uma disposição, uma inquietação tão descontrolada, que precisava gastar essa energia. Minha mãe tinha aquele aparelho de fazer exercícios, simulando corrida. Fiquei ali por três horas. Meu corpo não cansava, minha mente não acalmava. Três horas com uma disposição que não era mais do que um cérebro maníaco, inquieto. Já tinha dois anos que convivia com a fase maníaca, sabia que estava me perdendo.”
Eu, Agosto de 2008.

Mal comecei a ler este livro e me identifico com o primeiro parágrafo.
É um alívio perceber alguém que não fala dos seus problemas de fora, mas que viveu cada um deles, como você.